sexta-feira, 8 de maio de 2009

sintese tv escola

Tecnologias, sociedade, conhecimento e aprendizagem

As relações dos seres humanos com as tecnologias são variadas e complexas e seu uso generalizado possibilita a transformação de nosso meio ambiente natural e social e interfere em nossas maneiras de realizar as coisas, interagir, trabalhar, solucionar os problemas, atender às nossas necessidades, aprender, comunicar, ensinar e, inclusive, de pensar.

Ao longo da evolução da sociedade e da cultura, tais tecnologias vêm impregnando nosso cotidiano de tal maneira que nem sempre percebemos a profundidade das mudanças que provocam, tão integradas estão em nossas vidas, particularmente em período de tão acelerada mudança tecnológica, como o atual.

Adotar uma perspectiva histórica nos possibilita compreender melhor as profundas transformações provocadas desde o surgimento da linguagem, a codificação e transmissão do pensamento mediante sons (linguagem oral) e a criação de signos gráficos para o registro da fala (palavra escrita). Elas possibilitaram, cada uma a seu modo, maior permanência da mensagem, da comunicação de nossos pensamentos, sentimentos e formas de resolver os problemas, alterando também nossas formas de aprender e pensar.

Como a educação a distância é muito antiga (para a maioria de seus estudiosos, remonta às cartas dos apóstolos à comunidade de cristãos), seu alcance foi ampliado e beneficiado enormemente pelo advento da tecnologia tipográfica (imprensa). Ela favoreceu a dissociação ou descontextualização progressiva da experiência direta com as coisas, já que permitiu propagar o discurso dos autores independentemente da contigüidade espacial, da presença física junto a seus leitores. Também significou maior difusão e distribuição do conhecimento, das idéias, dos valores, das atitudes, interferindo sobre a organização da vida social, sua base social, econômica, política, religiosa e, conseqüentemente, sobre o papel social e a aprendizagem que se realiza na escola.

O mesmo se pode dizer do desenvolvimento das tecnologias sonoras (rádio, fitas magnéticas, alto-falantes) que, apesar do distanciamento entre falantes e ouvintes, provocam o rompimento das barreiras de espaço e tempo e possibilitam a comunicação dos pensamentos, emoções, valores e até a interatividade. Seu uso educacional tem se mostrado promissor e eficaz.

O surgimento das tecnologias audiovisuais (cinema, televisão, vídeo) permitiu levar a comunidades distantes do local da emissão dos programas o som e a imagem, a cor e o movimento. Sua digitalização, com o advento dos computadores e, no final dos anos setenta, dos microcomputadores, possibilita englobar som, imagem, movimento, palavra escrita e dados nos textos produzidos e nos suportes em que são apresentados (como disquetes, CD, videodisco, CDRom, DVD). As redes de computadores (Internet) e os programas de comunicação assíncrona (como as mensagens enviadas pelo correio eletrônico ou colocadas nos fóruns de discussão, sucessivas e ou seqüenciadas) e de comunicação síncrônica (como os bate-papos virtuais ou "chats", teleconferências, videoconferências, audioconferências, em tempo real, ou pela revisitação posterior), permitem enviar textos escritos, sonoros, multimídia e hipertextos a locais distantes, com velocidade cada vez maior.

Assim, não somente o tipo de comunicação, sua natureza, variedade e riqueza, como o acesso aos documentos textuais, superam as barreiras da comunicação diferida no tempo e no espaço, modificando as maneiras de produzir, sistematizar, estruturar, armazenar e disseminar o conhecimento na sociedade, a despeito da separação física dos autores/leitores ou emissores/receptores, interferindo nos currículos e na democratização das oportunidades educacionais (estar longe geograficamente já não significa impedimento à formação escolarizada). Essas possibilidades de comunicação permitem uso criativo, combinado e integrado das diferentes tecnologias (meios, linguagens e suportes de informação e de comunicação) e sua complementaridade, nos processos formativos presenciais, a distância, virtuais.

Se assumimos que as tecnologias trazem modificações sobre a produção e a organização do conhecimento, precisamos conhecer com mais detalhe a maneira como os meios de informação e comunicação afetam as relações sociais e culturais e suas implicações sobre os processos educacionais e cognitivos, a formação da subjetividade e da identidade, como base para redefinirmos nossas prioridades e posturas como educadores e aprendizes. Não é possível ignorá-las; ao contrário, são importantes aliadas da aprendizagem, para todos, ensinantes e aprendizes, sociedades e cidadãos.

Conhecer suas características e propriedades de linguagem e expressão é fundamental para imprimir maior qualidade aos programas, materiais e processos de trabalho e, conseqüentemente, à construção dos conhecimentos.

Por outro lado, requerem uma discussão mais profunda, já que não são panacéia nem ação de segunda categoria, nem um modismo, se estamos dispostos a enfrentar os problemas educacionais brasileiros. Demandam uma postura crítica, atenta e sistemática de estudo, produção, uso, avaliação e reformulação, para que possamos equacionar melhor suas possibilidades e limitações, fomentar a interatividade, a cooperação e a colaboração na construção e sistematização de conhecimentos e na ação individual e coletiva.

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